Brasília, DF
Derrotada na Câmara dos Deputados, com a base em ruínas e a popularidade em frangalhos, a presidente Dilma Rousseff enfrentará, a partir de agora, a batalha decisiva na briga pela sobrevivência à frente do Palácio do Planalto. O combate será travado em duas frentes: na arena política, que terá como palco o Senado, francamente hostil à petista, e no front jurídico, onde a briga já começou e está longe de terminar.
A Câmara aprovou o avanço do impeachment da presidente em votação na qual era necessário que dois terços dos deputados aprovassem a admissibilidade do processo, o voto que determinou a decisão foi dado às 23h07 pelo parlamentar Bruno Araujo (PSDB-PE). Com isso, foram alcançados os 342 votos necessários pela continuidade do processo no Senado; 135 se posicionaram contra ou não votaram. O governo precisava de 172 votos contrários, abstenções ou ausências para barrar o impeachment.
Entre os deputados catarinenses, deu o que já estava previsto na votação: 14 votos sim à abertura do processo de impeachment e dois votos não e pela continuidade do mandato da petista.
O vereador tubaronense Evandro Almeida (PMDB), estava na capital federal e acompanhou todo o processo no plenário. “Pude participar, com o intermédio do deputado licenciado Edinho Bez, que deixou eu o acompanharnesse momento histórico. Foi um momento único na minha vida. A cada voto a vontade era de chorar, ficava arrepiado, emocionado, com o sentimento da população nas ruas. Estou muito feliz. Agora é esperar a decisão no Senado”, destaca.
Saiba como funcionará
Com o sinal verde dado ontem pela Câmara dos Deputados para abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o futuro do mandato presidencial está agora nas mãos dos 81 senadores.
Hoje, o processo será enviado ao Senado e no dia seguinte lido no plenário da Casa. Ainda amanhã, os líderes partidários deverão indicar os 42 parlamentares que vão compor a comissão que analisará o assunto no Senado, com 21 titulares e 21 suplentes. A comissão tem prazo de 48 horas para eleger o presidente e o relator. Por causa do feriado de 21 de abril, nesta quinta-feira, isso deverá ocorrer somente na próxima segunda-feira.
Os integrantes da comissão especial serão definidos conforme a proporcionalidade dos partidos ou dos blocos partidários. A partir daí, o colegiado terá dez dias para apresentar um relatório pela admissibilidade ou não do processo de impeachment. O que ainda não está claro é se são dias corridos ou dias úteis. O parecer será votado na comissão e independentemente do resultado também será apreciado pelo plenário do Senado. Em ambos os casos, a votação será por maioria simples.
Afastamento
Caso aprovada a admissibilidade do processo pelo Senado, o que deve ser decidido entre os dias 10 e 11 de maio, a presidenta Dilma Rousseff será notificada e afastada do cargo por um prazo máximo de 180 dias, para que os senadores concluam o processo. O vice-presidente da República, Michel Temer, assume o posto. Mesmo se for afastada, Dilma manterá direitos como salário, residência no Palácio da Alvorada e segurança. Nesse período, ela fica impedida apenas de exercer suas funções de chefe de Estado.

